
Mesmo com toda tecnologia, o livro ainda pulsa. As previsões de que ele acabaria e seria substituído pelos e-books, tablets, computadores e celulares, não se cumpriram totalmente, e ele, o livro, sobrevive lado a lado com a tecnologia. É certo que há os adeptos às leituras virtuais, um mercado cada vez mais ascendente, porém, ter o livro em mãos, sentir o seu cheiro, poder folheá-lo, parece proporcionar a alguns leitores, uma sensação mais prazerosa que um e-book em mãos.
É muito provável que muitas leituras que fizemos quando criança, nos transmitiram sensações que até hoje conseguimos vivenciá-las ou recordá-las, como imagens de lugares, aventuras e personagens. Monteiro Lobato dizia que o seu desejo era que “as crianças morassem nos seus livros”. Acredito que esta é a sensação que temos ao ler alguns livros: morar neles, por um curto ou longo período, a depender da obra.
Infelizmente, numa sociedade que lê pouco como a nossa, muitos ainda não tiveram a oportunidade de serem transportados a este “caminho florido das aventuras” e talvez, não poderão (des)envolver-se como leitor.
Proust dizia que a leitura é nossa “iniciadora, cujas chaves mágicas, abrem no fundo de nós mesmos a porta das moradas onde não saberíamos penetrar”. Ele faz ainda uma analogia muito interessante entre a relação da leitura e do leitor, sendo essa uma amizade sincera, desembaraçada de tudo, imbuída de uma atmosfera pura de silêncio, mais pura que a palavra. Segundo Proust, quando terminamos uma leitura ou guardamos um livro, não teremos o pensamento de remorso ou pensamentos que minariam uma relação de amizade como: “o que pensaram de nós? Será que o agradamos”? Todas estas indagações expiram na calma que é a leitura.
O prazer da leitura não implica encontrar o sentido desejado pelo autor, o que resultaria numa “coincidência entre o sentido desejado e o sentido percebido, como um acordo cultural”. Ler é muito mais que encontrar um sentido. É constituir e não reconstituir um sentido.
Ler nos direciona à outras épocas, culturas e línguas diferentes. Quando estudamos outras línguas, por exemplo, é fundamental acrescentar este hábito com a finalidade de ampliar vocabulário, conhecer novas expressões, melhorar a escrita e conhecer a cultura daquele país.
Você pode começar com textos de menor dificuldade e fazer um glossário à parte se o seu objetivo for aprimorar ou aprender um idioma.
A propósito, você sabe o que é uma leitura instrumental? Veremos no próximo blog!
Que tal escolher livros para “morar”? Alguns sites para que você possa ampliar suas leituras ou, se preferir, comprar as obras na livraria. Boa leitura!
https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/1 (site da Universidade de São Paulo que disponibiliza 3 mil livros para download de forma legal).
https://www.bnportugal.gov.pt/ (Biblioteca Nacional de Portugal).
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
